Desentranhar os desastres socionaturais

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O verão passado nos fez lembrar do poder da natureza. Os incêndios que afetaram as diferentes regiões, adicionado à aluvião que costou três vidas no Cajón del Maipo e que deixou sem água por dias à Região Metropolitana, reviveram a sensação de calamidade e desamparo que é produzida trás os terremotos que, reiterativamente, assolam o nosso país.  Nos fizeram lembrar, além disto, de que nos falta muito para estar o suficientemente preparados para enfrentar os desastres socionaturais.

Esta diferença— a de socionaturais e não unicamente naturais— é relevante, pois o dramatismo deste tipo de eventos não foi radicado só no seu acontecer, mas também na capacidade de reação das comunidades e dos órgãos especializados. As ameaças  são naturais e os desastres são sociais, e é, finalmente, por meio de ferramentas que são providas pela cultura, a sociedade e sua organização que pode ser reduzido o impacto destas ameaças. É por isto que inúmeras dimensões devem ser consideradas no momento de planejar uma resposta apropriada que diminua a vulnerabilidade da população. O desastre importa, mas também o gênero dos atingidos, a organização da comunidade, a quantidade de disciplinas envolvidas, a situação de probreza e muito mais ainda.

Os artigos que conformam este dossier procuram dar conta dessa complexidade e abordar a relação entre um modelo de desenvolvimento que distribui desigualmente os benefícios e o impacto dos desastres socionaturais; o enfoque transdisciplinar necessário que devem ter este tipo de eventos, a importância de que a mídia avance em protocolos para regulamentar os tratamentos informativos em situação de calamidade, a necessidade de avançar para um conhecimento instituicionalizado que permita reduzir o impacto dos desastres e a abordagem de gênero que deveria prevalecer no jeito de fazer face ao modo em que os desastres afetam a homens e mulheres de maneira desigual.

Traduzido por Gladys Cabezas

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