Probidade e ética no Chile de hoje

Share

A última sondagem publicada pelo Centro de Estudos Públicos (Centro de Estudios Públicos) mostrou, a traves de cifras concludentes, a pouca confiança dos chilenos nas instituições que governam seus destinos. Os partidos políticos, o Congresso e o Governo são vistos como as entidades com maior corrupção, 80% dos inquiridos acredita que as AFP abusam e 73% acredita que também fazem o mesmo as Isapres.

Os diferentes escândalos de corrupção em instituições que há não muito tempo gozavam de enorme respeito cidadão, como Carabineros, e as repetidas denúncias e investigações por financiamento ilegal da política, tráfico de influências e favores políticos em diversas entidades, assim como a detecção de colusão nos mercados tem limitado a confiança dos chilenos. Contudo, o problema não é só as exorbitantes cifras defraudadas, mas que elas fazem que persista um clima, um mau gosto na boca que não só tem a ver com milhões de pesos ou arbitrariamente alocados, mas principalmente, com a sensação de que todos os limites são transferíveis e que a ética é hoje uma questão transferível em qualquer mercado.

Nesta edição destacadas personagens assumiram o desafio de ir mais além da contingência e das denúncias para se questionar sobre ética, falta de probidade e a necessidade de implementar medidas concretas que freiem a debacle.

María Olivia Mönckeberg, Fernando Atria e Roberto Aceituno se reuniram em uma mesa de conversação que abordou, desde diferentes disciplinas, as preocupações em torno de uma sociedade que perdeu o respeito pela ética com um olhar profundo, estrutural, que poucas vezes caracteriza a discussão midiática sobre estes tópicos. Desde a filosofia, Maria José López chama a não temer das épocas de tumulto e divisão e a compreender que continuamos fazendo parte de um corpo político. Por sua vez, Fernando Lolas levanta a discussão sobre uma perspectiva bioética necessária para pensar as políticas públicas relacionadas com a velhice, a qual permitiria acrescentar a justiça social. Desde a Espanha Joan Mele, um dos principais promotores do conceito de banca ética, reclama para a cidadania um papel ativo e empoderado das decisões financeiras das instituições bancárias. Finalmente, Andrea Repetto, membro da Comissão Engel, compartilha algumas medidas emanadas dessa instância, que procuram recuperar a confiança da cidadania nas instituições e organizações que sustentam a democracia.

Posts Relacionados

Palabra Pública en las redes sociales