A nova vida das universidades estatais

Share

A discussão sobre a lei das universidades estatais que atualmente está sendo discutida na Câmara dos Deputados levantou uma série de perguntas sobre por que esses planteis  deveriam ser tratadas de forma diferente do resto. Por que eles são diferentes de qualquer outra instituição de ensino superior. A questão é tão óbvia que sua abordagem só poderia ser explicada em um país onde tentaram destruir a educação estatal e onde seu caráter fica tão mermado que mesmo sua missão parece desfocada.

Muitos argumentam a partir de uma abordagem processual: as universidades estaduais são diferentes porque devem responder aos requisitos de transparência – o uso dos recursos públicos que recebem é supervisionado pela Controladora Geral da República; porque eles têm um status administrativo e porque não podem ser criados como qualquer conselho de administração quiser. E enquanto essas restrições necessárias são verdadeiras, não são elas que explicam a relevância de uma rede nacional de universidades estaduais com força, voz e capacidade para determinar seu próprio destino.

Em 2010, o acadêmico da Faculdade de Ciências Sociais e membro do Conselho Editorial desta publicação, Rodrigo Baño perguntou-se em uma coluna “O que é uma universidade pública?”. E respondeu: “uma universidade pública é uma instituição de ensino superior que existe para cumprir o direito do cidadão à educação em todos os níveis, de acordo com o conhecimento e a cidadania que a sociedade define como necessário; uma universidade pública desenvolve a pesquisa que a nação precisa para aumentar seu conhecimento e enfrentar seus problemas; uma universidade pública fica empenhada em entregar a toda a comunidade do país o produto de seu trabalho, entendendo seus estudos e criações além dos limites de suas dependências. O pluralismo é uma conseqüência necessária de ser uma universidade de todos”.

O papel do serviço ao país a partir de uma visão plural, nunca confessional e nunca sequestrada por interesses privados é o que define esses planteis dedicados à cidadania e, que em todo o Chile garantem que a educação pública seja para todos e que sirva para todos. Agradecemos neste dossiê as contribuições do Prêmio Nacional de História Jorge Pinto, acadêmico da Universidade de La Frontera; do Professor Titular da Universidade de Santiago, Naín Nómez; da Prêmio Nacional de Ciências Naturais e acadêmica da Universidade do Chile, Cecilia Hidalgo; do Prêmio Nacional de Ciências Naturais e acadêmico da Universidade de Tarapacá, Francisco Rothhammer; e do Prêmio Nacional de História e acadêmico do mesmo estabelecimento, Sergio González, que indubitavelmente iluminam a discussão e demonstram o quão essencial é para o futuro do país fortalecer esses planteis.

Posts Relacionados

Palabra Pública en las redes sociales