Chile, um país racista

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De acordo com o relatório Conjuntura Econômica na América Latina e no Caribe da CEPAL e da Organização Internacional do Trabalho, publicado em maio do ano passado, o Chile é o país da América Latina onde a imigração cresceu mais, e proporcionalmente. Isso, principalmente, porque os migrantes veem o Chile como um país com estabilidade econômica, onde terão possibilidades de acessar a um emprego.

No entanto, apesar desta perspectiva positiva, casos emblemáticos, devido à desigualdade que manifestam, como a da cidadã haitiana Joane Florvil, que foi acusada de um crime que não cometeu através de um procedimento que ela não entendeu e que morreu por causa de as feridas que, em desespero, infligiu-se durante o seu confinamento, ou outros casos infelizmente cotidianos como o do haitiano Cedul Termesier, trabalhador da Copec a quem um cliente jogou um cachorro quente na cara porque «ele tinha pouco abacate», demonstram o que sempre foi conhecido, mas hoje, com o aumento da imigração, mostra-se com mais força: há cores de pele que parecem suspeitas para uma grande parte da nossa sociedade.

O relatório «Manifestaciones de discriminação racial en Chile: um estudo de percepções«, publicado pelo Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH), em fevereiro deste ano indica que 68,2% dos entrevistados disseram que concordaram em tomar medidas que limitam o acesso dos migrantes ao Chile, enquanto um terço é considerado «mais branco que os demais países latino-americanos» e quase 25% na região metropolitana vê migrantes «mais sujos» versus chilenos. Em seu relatório, o INDH observa que «o fato de que a cor da pele e os traços indígenas são indicados como motivos de rejeição denota seu uso como indicadores de exclusão social e, portanto, como uma manifestação sobreposta de racismo (…)». as respostas mostram que não mais de 30% dos entrevistados rejeitaram claramente a ideia de estigmatizá-los».

O recente (e rejeitado pelas comunidades migrantes) o anúncio do governo, que procura aplicar uma série de mudanças de curto prazo na política de migração, entre as quais uma regulamentação sobre o acesso de haitianos, bem como a controvérsia que levantou a disseminação de perguntas sobre a cor da pele e de olhos para estrangeiros (uma questão que já foi assumida pela Chancelaria) mostram que esse problema está longe de ser resolvido em nosso país e que precisamos olhar os tempos para resolvê-lo.

Os colunistas desta edição se encarregam disso. Através de uma entrevista conduzida por Ximena Póo, Celia Cussen fala sobre a inegável contribuição da população “afro” em toda a história chilena; María Emilia Tijoux refere-se à configuração dos jogos de poder que permitem o racismo em nosso país; Luis Eduardo Thayer aborda os desafios de uma política migratória baseada na proteção dos direitos humanos; Cláudia Zapata deixa a conjuntura e foca na história do racismo para os povos indígenas em nossa história e José Miguel Labrín analisa a função social da mídia em

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